Bem também

Me perguntaram se tudo bem. Tudo bem sem saber o que é o tudo e o que é o bem.

O meu tudo deve ser nada pro João Gilberto. Deve ser árvore pro Arnaldo Antunes, sexo pro Serguey, pedra pro Drummond e a nova Barbie para minha prima de 8 anos. É ainda everything pro gringo sem dicionário, perdido em um taxi de Copacabana. Certo que tudo é o que o taxista quer tirar do gringo perdido sem dicionário dentro do seu taxi em Copacabana.

O meu tudo talvez não funcione em Saturno. Se eu der tudo pra uma girafa, ela não vai saber mastigar. Se eu der tudo prum avestruz, ele vai tentar roubar de mim. Eu não sei se eu quero dar tudo prum avestruz ou botar tudo a perder.

As coisas andam estranhas desde que eu sonhei ter sido abduzida por um ET que estava no pé da minha cama. Ele era o único a saber o que era tudo pra mim. Sabendo, pode ter levado embora. Pode ter implantado um chip da zica. Ou ainda implantado dois polos negativos: um no tudo e outro no bem.

O meu bem também é
Não sei se um estado. Não é um momento, muito menos uma pessoa ou algo tateável.

Olhando de cima, o bem não faz diferença. Não existe bem, sorte, certo, Deus, pena ou final: existe o que te interessa. Bem foi o que eu vi uma vez atrás do pote de geleia. Foi você em uma quarta-feira no cinema.

Me perguntaram se tudo bem. Eu disse sim, e você?

Autor: Dindi Coelho

No mistakes just pancakes

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