“Só estou viva em um a cada quatro segundos, só registro quinze minutos a cada hora”
Continuando a falar da Miranda July… esse é um dos meus grifos favoritos do livro “É claro que você sabe do que eu estou falando”. O motivo é meio óbvio: 112,34% de identificação.
Odeio a sensação de que não aproveitei ao máximo meu dia, seja porque estava divagando, porque bateu preguiça, ou então porque apertar F5 na frente do computador pareceu ser algo sensato.
O título do conto que eu tirei esse trecho também é de alto grau de identificação: “Alguma coisa que não precisa de coisa alguma”.
No fim, são as 3 coisas que eu quero:
- Encontrar os meus 3/4 de tempo
- ser alguma coisa que não precisa de coisa alguma
- não precisar ficar explicando isso, com palavras soltas e desconexas, porque vocês já saberiam do que eu estou falando
Esses dias eu dei por começar a fazer uma lista das pessoas vivas que eu gostaria de ser amiga. Comecei com isso porque, claramente sou uma sem amigos carente estava em um desses momentos de ócio.
Eis que a Miranda July foi um dos primeiros nomes que me surgiu na cabeça. Atualmente, ela tem um trabalho incrível como diretora e roteirista de dois longas: “The Future”e “You, me and everyone we know”, além de ser escritora e artista performática e atriz (tipo um prodígio, perceba). E todo o trabalho dela se resume em uma palavra: Esquisitices.
Ela é muito mestra em retratar as peculiaridades de cada um, sem mencionar um certo humor bem sutil que ela coloca em cada linha e em cada take de seus trabalhos.
Miranda July, será que um dia a gente pode tomar um chá? :~
E o melhor de tudo: Ela mesma é toda esquisitinha. Eu aposto que um documentário dessa mulher seria muito mais bizarro e surreal do que muitas das histórias que ela mesma retrata.
Ainda não assisti ao “The Future”… mas mal posso esperar para entrar em cartaz, já que não pude vê-lo na Mostra Internacional que rolou em São Paulo (btw, valeu Mostra por só colocar esse filme em UMA sessão com horario decente).
Enfim, Miranda July, essa linda, me inspira demais. Muitas das minhas divagações e coisas que eu escrevo aparecem de alguma referência dela.
Pra terminar, um dos meus trechinhos favoritos do livro dela “No one belongs here more than you” (No Brasil, É claro que você sabe do que eu estou falando): “I never return phone calls.
I am falsely modest.
I have a disproportionate amount of guilt about these two things, which makes me unpleasant to be around.”
As duas grandes contribuições de sites 9gaguianos são:
1) Ploriferar memes e LOL cats
2) Fazer todo mundo falar a palavra procrastinação
procrastinação: v.t. e v.i. Adiar, espaçar, delongar.
Usar de delongas.
Procrastinação é o que a gente chamava de ócio há 2 anos atrás pra falar sobre nossas noites acompanhados de MSN, LiveJournal e Orkut. É o que a nossa mãe chama de vagabundagem, com razão, e é a nova palavra longa, cool e 2.0 pra justificar seu eterno não-fazer-nada.
A questão é que procrastinar ou ficar no ócio, no sentido real da coisa e longe de Matrix, são coisas muito mais difíceis de se realizar do que parece. O descanso e demora para realização de um trabalho ajudam na criatividade e atenção que você vai demandar em uma tarefa. E na boa, descansar não é ficar na frente do computador comendo cheetos e vendo site de humor. Isso é gordice.
Enfim… ultimamente eu andei lendo muito sobre o assunto. Li alguns ensaios de uns manolos que defendem que a gente tá ficando louco. A nossa forma de pensar em descanso mudou e deixou de ser um tempo para cuidado com você mesmo e tempo de reflexão. Cada vez mais, tomamos decisões sem pensar, dormimos menos e comemos Mc Donald’s no automático (me gusta Mc Donald’s). A minha ideia aqui é propor que ninguém deixe de 9gagear e fazer gordice (até porque é divertido), mas que não esqueçam de tirar um tempinho pra descansar MESMO.
Diz ai, qual foi a última vez que você tirou um tempo pra você mesmo? han han?
“São os ociosos que mudam o mundo porque os outros não tem tempo algum” ( Albert Camus) fica ai a dica.
Gente, que loucura de ano… tanta coisa aconteceu nos últimos meses que o meu querido Dindivagando foi ficando para trás. E vamo combiná que é foda retomar o hábito de escrever. Não sei nem bem por onde começar. Acho que vou arrumar as gavetas, tirar o pó da minha casa de bytes, preparar o chá das 5, acender o incenso e pregar uma foto da Susan Miller (sim, porque agora essa muié me segue… um dia conto melhor).
Por enquanto, fica a minha música neo hippie favorita sobre recomeços e voltas… a melodia é zen e a letra, como toda coisa hippie, não quer lá dizer muita coisa.